Carta#4 - O dia em que o ralo de um box acabou com a minha noite romântica.

 Era 14 de agosto de 2016. Eu e meu marido mudávamos para nosso apartamento. Quando casamos moramos com os meus pais por um ano, que foi o tempo necessário para que o nosso apartamento ficasse pronto.

- ahhh!! Primeiro dia no tão sonhado apartamento, dia de alegria e romantismo, claro, né?!

- Não!

- não?! Como assim não?!

- Não! É que eu era chata demais!

Vamos aos fatos:

Ele foi tomar um banho e eu estava fazendo alguma coisa na sala. Em poucos minutos, escuto os gritos dele chamando por mim.

Detritos da obra haviam entupido o ralo do box, o que causou uma inundação no banheiro, e é óbvio que ele precisava de ajuda. Afinal, ele estava ali “pelado, pelado, nu, com a mão no bolso” (Acabei de entregar a minha idade. Aos mais novinhos, por favor, deêm um Google!).

Voltando… ele estava ali surpreso com aquela situação, sem qualquer ferramenta, rodo, nada que pudesse facilitar a vida dele...

E eu?!

Bom, eu fiquei furiosa porque ele estava me chamando quando eu estava ocupada e inconformada por ele não ter resolvido o problema sozinho!!

Assim, o ralo, ops!, EU acabei com a nossa primeira noite no apartamento.

Esse dia não foi a primeiro nem o último em que manifestei o extremo da chatice. Foram necessários muitos outros momentos de romantismo assassinado para que eu pudesse me dar conta da minha suntuosa chatice. Com nove anos de casados, eu continuo sendo chata, claro! Porém, mais atenta para evitar um crime contra o coitado do romantismo.


Partiu próximo degrau…


Eu sei, tu sabes, ele sabe, nós, vós e eles também sabem que relacionamentos humanos não são simples. Não mesmo!

Somos provocados (e provocadores) em muitos momentos da vida. Acontece, meu caro (a) que não estamos aqui a passeio, não é mesmo?! Nessa vida de peregrinação nos deparamos diversas vezes com pessoas e circunstâncias mais desafiadoras que outras.

Pode até parecer apenas um clichê, mas a realidade é que todos os desafios pelos quais passamos na vida são um chamado para subirmos o próximo degrau e nos tornarmos pessoas melhores, e na sequência, um cônjuge melhor, um pai melhor, um filho melhor, um profissional melhor…

O primeiro passo para conquistarmos o próximo degrau é tornar consciente o que fazemos no intervalo entre o estímulo e a resposta: você faz uma pausa para aplicar razão à situação ou joga a toalha e aciona o comportamento padrão?

Vale refletir sobre isso nos desafios que surgirem.

P.S.: por falar em chatice... Longe de mim querer generalizar, massss penso que as mulheres costumam sofrer mais deste sintoma.

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