Carta#2 - Sente o incômodo de um certo vazio?
Se a resposta é sim este texto é para você.
02 de agosto de 2023. Como quem tivesse combinado com o lindo céu de azul espelhado, em pleno inverno da serra gaúcha, a Maria Luísa me convida para um sorvete. Impossível recusar. Talvez o frescor da linda tarde, a paisagem desta cidade apaixonante e o prazer que transcende a minha essência por poder desfrutar de tudo isso em companhia dos meus pequenos pudesse revigorar o meu corpo das noites mal dormidas, que só quem tem um bebê entende.
Após o sorvete, ainda sedenta pela tarde ensolarada, a minha pequena estendeu o convite para irmos à praça. A este também não resisti.
Entre as diversas piruetas, no sobe e desce de um dos brinquedos daquela linda praça de grama verdinha, reparei que a Maria Luísa contava com outra expectadora além de mim. Uma moça, de mais ou menos quarenta e poucos anos, olhava a minha criança saltitante. Não demorou muito para me questionar sobre a idade da Maria. Depois, apontou o quão rápido o tempo passa e que em sua infância brincava naquela mesma praça. Pude, então, imaginá-la naquele cenário tão saltitante quanto a minha filha. Tendo eu sido criança de apartamento comentei com a moça: " que legal! Deve ter sido uma infância muito feliz!". Cabisbaixa, a moça respondeu: "época em que eu tinha os meus tios, família toda viva...a vida parece que perdeu sentido...". O horário já estava avançado mesmo, então chamei a Maria Luísa para continuarmos a caminhada de volta para casa. Durante o percurso, julgando-me, pensava que a minha alegria deveria ter contagiado aquela moça ao invés de eu ter sido inundada pela correnteza de tristeza que transbordava dos seus olhos. No mesmo momento, impossível de demonstrar nessas palavras que se apresentam em sequências, lembrei de Santo Agostinho em:
"Fizeste-nos para ti e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em TI"
… e tudo fez sentido.
Enquanto aquela moça falava eu pude me lembrar exatamente como eu me sentia antes de repousar no PAI - inquieta, vazia, tudo sem sentido.
“Onde estava eu, Senhor, quando não pensava em vós?”
Sem demora, agradeci, agradeci ao SENHOR da minha vida pela graça de me lembrar que nunca mais quero sentir o amargor de uma vida vazia, experimentada quando a felicidade está nas coisas deste mundo. É que, paradoxalmente, nenhuma coisa deste mundo é capaz de completar lacuna alguma.
Peço a graça de sempre querer repousar nELE e deleitar da alegria que preenche o meu ser, que só pode vir dELE
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